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Princípios

 

A - Personalidade

Como teoria de personalidade podemos falar de interdependência ecológica; o campo organismo / ambiente.

A personalidade é o sistema de atitudes adotadas nas relações interpessoais.

Quando o ser humano chega ao mundo precisa necessariamente do calor de braços humanos, de contato cheio de ternura. Precisa sentir-se seguro de que será protegido, de que foi desejado, de que alguém acalmará sua sede e fome.

Uma criança depende dass experiências dos pais e de seu meio ambiente.

O homem vive a unidade solidária de seu destino individual com o destino da comunidade a que pertence, não pode ter êxito ou fracasso por sua conta. O problema do ser define-se então como possibilidade.

A ação do homem no seu ser-no-mundo é desdobrada pela possibilidade originária de ser-com-os-outros, não é jamais individual.

Os homens não se dirigem direta e simplesmente as coisas em sua mera presentidade, mas por uma trama de significados em que as coisas vão podendo aparecer.

Para o organismo, antes que se possa denominá-lo de algum modo personalidade e, na formação da personalidade, os fatores sociais são essenciais.

B - O Mundo Fenomenal

É organizado pelas necessidade do indivíduo.

O passado reflete as experiências anteriores transformadas pelas experiências posteriores, que simbolizam as lembranças hoje.

"Para cada momento a vida nos oferece infinitas possibilidades de escolha. Muita necessidade é a de escolher apenas uma. Meu poder é de buscar escolher com consciência sabedoria e amor."(Loeci Maria Pagano Galli)

Futuro são expectativas, objetivos, metas que dirigem as escolhas de hoje e que poderão ou não se concretizarem. O futuroinspira o presente.

O presente é a única possibilidade, a única realidade. É a forma de atenção sobre a forma possível.

Pela expressão fenômeno deve reter-se o seguinte: o-que-se-mostra-em-si-mesmo. Fenômenos são então a totalidade do que há na luz do dia ou que pode ser trazido a luz. Fenômeno é igual a aparência.

Fenomenologia significa primeiramente uma concepção metodológica, não caracteriza o porque mas o como dos objetos.

O objetivo da exploração fenomenológica da gestalt é a awareness. Um fenomenólogo estuda a awareness pessoal e também a awareness do próprio processo.

 

Passado

Experiências anteriores

Temos uma hierarquia de necessidade, que continuamente se desenvolvem, e organizam as figuras de experiência e desaparecem . A auto-regulação organísmica confia nosso bem estar ao cuidado de um ser interno que se esforça inerentemente por ser saudável.

Futuro

Expectativas

A auto-regulação organísmica inclui três fenômenos: percepção, aceitação do que existe e consciência da necessidade dominante. Aceitação da realidade possível, que é a realidade que ela pode contatar.

 

Presente


Única realidade possível

 

C - E o pensamento torna-se a experiência

Compreenda as ações arquetípicas.

Pense num evento que esteja em harmonia com as ações / natureza arquetípicas.

Novos caminhos de mínima ação podem desenvolver-se guiando sua percepção para aquela harmonia.

E o pensamento torna-se experiência!

Cada minúsculo “ato de observação” reduz à polifonia dos caminhos a um só ponto de um dos caminhos. A partir dele são possíveis novos caminhos de mínima ação vindos do passado e indo para o futuro. Tudo se passa como se a memória do universo recebesse um leve solavanco, que a fizesse esquecer da maneira como ela trouxe este objeto até esse determinado ponto do espaço e do tempo. Se estivermos “ “dependurados” no passado. Escolheremos ver o futuro como víamos o passado. Se alterarmos nossa percepção do agora, nossa visão alterada mudará o futuro.

D - Hermenêutica

A hermenêutica é uma verdade que se estabelece dentro das condições humanas, estamos sempre confrontados como indivíduos situados dentro de uma determinada cultura.

A objetividade própria da hermenêutica ao escutar alguém ou realizar uma leitura não se trata de não levar em conta os próprios pré-juízos ou negar suas próprias opiniões, mas sim se estar aberto a opinião do outro ou do texto.

Tal receptividade não pressupõe neutralidade. A compreensão se move numa dialética entre a pré compreensão e a compreesão do momento.

A fenomenologia do ser é hermenêutica.

A hermenêutica é esta incomoda verdade, que não é nem verdade empírica e nem uma verdade absoluta, mas uma verdade que se estabelece dentro das condições humanas do discurso e da linguagem. Não há grau zero no início da investigação, pois sempre estamos confrontados como indivíduos situados historicamente dentro de uma determinada cultura. A ciência é construída sobre o mundo vivido e ela só pode ser vista enquanto resultado da experiência do mundo. Segundo Gadamer há um "perpetuum movile".

Segundo Heidegger o método fenomenológico é um método pelo qual devemos dar conta sempre de dois aspectos na investigação: o aspecto da singularidade (fenômeno) e o aspecto da universalidade (logos). Fenomenologia já contém a idéia de uma espécie de análise constante dos aspectos da singularidade e da universalidade. O método fenomenológico trata daquilo que se esconde sob o logos, que é a singularidade que tenta se expressar no logos, mas que o logos sempre oculta. É o elemento hermenêutico.

E - Awareness

É uma forma de atenção sobre a forma, uma reflexão da forma em si mesma. Temos uma hierarquia de necessidades que continuamente se desenvolvem e organizam. A awareness não é estática, é um processo de orientação que se renova a cada instante.

Entrar em contato com o mundo é o reconhecimento do ambiente. Processo de estar em vigilante contato com os eventos mais importantes do campo indivíduo- ambiente.

Experiência de estar em contato com a própria existência. Aceitação da realidade possível, realidade que ela pode contatar.

A awareness é eficaz apenas quando fundamentada e enrgizada pela necessidade atual dominante do organismo. Sem energia, entusiasmo e emocionalismo do organismo, sendo investido na figura emergente, a figura não tem significado, poder ou impacto.

Expandir-se é estar consciente do que se passa dentro e fora de si no momento presente, em nível mental, corporal e emocional.

Representa o autoconhecimento. A pessoa consciente sabe que tem alternativas e escolhe a melhor para o momento.

É aceitação da realidade possível, realidade que ela pode contatar.

F - O universo físico não existe independentemente do pensamento dos participantes

O universo físico não existe sem os nossos pensamentos sobre ele. Sem nossas observações e sem nossos pensamentos um objetivo se dispersaria no esquecimento. Imagine-se isto para a confirmação da pessoa. O princípio da incerteza: é impossível você conhecer, simultaneamente a posição e a trajetória de um objeto em movimento. Se você determina um destes atributos com excelente precisão será sempre às expensas do outro. Por isto, mesmo que você faça uma observação tão boa quanto possível, o mundo será, sempre, um pouco incerto.O que denominamos realidade é construído pela mente. O Mundo não é o mesmo sem você.


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G - Contato

O limite no qual o indivíduo e o meio se tocam, em Gestalt-terapia denomina-se "limite de contato", e neste limite ocorre o intercâmbio vivo entre indivíduo e meio.

Contato é o processo básico do relacionamento, é a consciência de si como um ser com. Toda experiência do indivíduo podem sofrer alterações conforme o campo em um dado momento. Experiência é contato. Contato é função do campo e obedece as leis que regem o campo. Posso estar contigo, unicamente se estou seguro de que tu és, não eu e que existimos como entes separados. Contato é o processo básico do relacionamento. O diálogo é que emerge quando eu e você buscamos o contato de forma autêntica. O diálogo não é você mais eu, ao contrário, ele surge da interação. O contato humano é um processo mútuo de duas pessoas separadas, movendo-se em ritmo de união e separação

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H - Figura-Fundo

Na subjetividade da percepção a escolha pode ser consciente ou inconsciente do que para aquela pessoa aparece como figura ou fundo.

O processo de formação de figura-fundo é dinâmico, o organismo seleciona e desenvolve formas próprias de auto-conservação. Qualquer fenômeno observado nunca é uma realidade objetiva em si.

A figura depende do fundo sobre o qual aparece; o fundo serve como uma estrutura ou moldura em que a figura está enquadrada ou suspensa, e por conseguinte, determina a figura.

Vir ao mundo significa poder partilhar, com os outros, o seu modo de ser. Mas o ser sem que me pertencesse isoladamente, me anularia como individualidade; porém o ser que me define em minha individualidade, me abre a coexistência e determina uma esfera infinita em que substituem possibilidades infinitas de encontro, de comunicação, de compreensão entre o eu e o outro.

Nenhum olhar é meramente individual, ainda que seja sempre o indivíduo que vê. Isto porque o indivíduo é um ente coexistente.

O homem é plural. Os outros não são aqueles com quem o indivíduo convive, nem aqueles que o completam; os outros constituem-no. sem o outro o indivíduo não é.

Nunca estamos acabados como algo presente, estamos sempre abertos para o futuro no sentido de conduzir a nossa vida.

Quando o ser é compreendido na sua impermanência, no seu aparecer, desaparecer, é a existência humana mesma, entendida como coexistência (singularidade e pluralidade) em seus modos de ser no mundo.

Qualquer escolha é aquilo que pode redespertar, ou colocar em movimento o que já vive em nós, por isso nos desperta atenção. Por esse motivo a tendência de me identificar com algumas pessoas.

I - O Espaço é uma Construção do Pensamento

O meu "agora" não é o seu "agora", a não ser que estejamos nos movendo à mesma velocidade e no mesmo sentido. Se não estivermos, nossos "agoras" não serão os mesmos. Todo o universo pede estar num ponto menor que este (para um observador situado em nosso nível).
E nós poderíamos, ainda assim, experimentar o espaço como o conhecemos.

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J - Teoria de Campo

Kurt Lewin (1890-1947) nasceu na Alemanha, doutor em psicologia, estudou a interdependência entre a pessoa e o seu meio social.

O comportamento é uma função do campo, do qual ele é parte, ele não depende nem do passado e nem do futuro, mas do campo presente. Este campo presente tem uma determinada dimensão tempo, inclui o passado psicológico, o presente psicológico e o futuro psicológico, que constituem uma das dimensões do espaço de vida exixtindo num determinado momento. (Lewin, 1965. p.32)

Na abordagem de campo da Gestalt-terapia tudo é visto como vir a ser, movendo-se, nada é estático. O campo é a pessoa no seu espaço de vida. A realidade é sempre relacional e é assim que precisa ser compreendida.

K - Teoria Organísmica

Kurt Goldstein (1878-1965)

O indivíduo é um todo unificado, como um campo integrado em sentimentos, sensações, emoções, imagens. O corpo e a mente não são entidades separadas. O organismo é uma só unidade.

Uma verdadeira compreensão da condição individual só é alcançada se considerarmos o indivíduo como parte da totalidade da natureza e em particular da sociedade humana a que pertence.

O todo não pode ser compreendido pelo estudo das partes isoladas. O todo é regido por leis que não se encontram nas partes. O todo é o seu próprio princípio regulador.

O homem possui um impulso dominante de auto-regulação pelo qual é permanentemente motivado. Tem dentro de si potencialidades que regulam seu próprio crescimento.

O organismo se expressa ora como figura, ora como fundo. Uma figura, embora destacada do fundo, mantém-se ligada a ele e recebe dele sua origem e explicações.

L - Psicopatologia Fenomenológica

Precisamos compreender um sintoma como um estilo de ser-no-mundo, no modo que este ser se dá existencialmente. Não há sentimento, comportamento ou qualquer outro modo de ser de uma pessoa, que exista isoladamente, pois o ser-no-mundo reflete a inseparabilidade. O sofrimento que pensamos estar só dentro, também está fora.
Podemos entender conflitos interiores como conflitos entre a existência do organismo e o social, num ajuste permanente e criador, visando o reequilíbrio constante do organismo.
Se uma flor for atingida por uma forte geada fora da estação, ela não se abrirá, a pessoa da mesma forma. A dinâmica da personalidade fica danificada. O que é chamado de neurose ou psicose, nós gestalt-terapeutas, chamamos de ajuste criativo. Estar encoberto é uma realidade existencial, não é um estado patológico.
O reconhecer deste existencial compartilhado é que permite a consciência com responsabilidade.

 

M - Assim, afinal de contas, por que estamos aqui?

O espaço tempo está aqui exatamente para se ter alguma coisa a fazer. Assim, jogamos o jogo. Dançamos a dança. A alegria está na mudança, no processo, não na conquista. Não podemos, nunca, experimentar completamente o além do espaço-tempo dançamos, contudo, rumo a ele.

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Conforme nos voltamos para o nosso interior compreendemos: eu afeto diretamente os universos, eu assumo a responsabilidade direta; não espere pelo guru, não espere pelo messias, não espere pela segunda vinda. O "eu" real está aqui e agora - no íntimo. Acorde e sinta o aroma do café.

*

E Agora ?

Compreenda:
todo evento no indefinido número de universos é influenciado por você.


Compreenda:
Há vida em todas as coisas.


Compreenda:
Você não é aquilo que ensinaram a você.


Permita à consciência unir-se com você.

Desenhos: Ricardo Waldaman

* exceto indicados, extraídos de:

Toben, Bob e Wolf, Fred Alan. Espaço-Tempo e Além. São Paulo:Cultrix, 1999.